Os Viralata
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Entrevista à AllTV (13.ago.07)
Na noite de 13 de agosto de 2007, a convite de Yara Ruscio e Gustavo Petrinelli, do programa Portall do Leitor, expliquei o que significa e o que pretende o projeto Os Viralata aos e-spectadores do programa.
Por falta de tempo (o programa tem "apenas" uma hora), muitas perguntas ficaram sem resposta. Tento resolver aqui esse problema
Ismênia:   Os Viralata é uma editora ou uma livraria virtual?

Entre as duas opções, é uma livraria virtual. Mas é mais uma vitrine em que o autor pode mostrar seus livros e vendê-los aos leitores.
O serviço de divulgação é gratuito.
Conforme a necessidade do autor, eu até posso ajudá-lo a editar. Mas quem faz isso sou eu, não Os Viralata.

 

Jorel:  Esse "fenômeno" de vendas Harry Potter ajudou de maneira indireta a divulgação da literatura?

Gente mais capacitada que eu, às centenas, já respondeu a esta pergunta.
Não entendo nada de best-sellers.

 

Elianne:  Viralata é raça indefinida...rs

Isso mesmo. E falando em termos de seleção natural, uma raça vencedora.

 

Paulo Azul:  Como reagir quando ver que outro copiou trechos ou toda sua obra?

1) Ficando lisonjeado e 2) processando o copiador, caso ele tenha ganho dinheiro com isso.

 

Bia CNS:  O que acontece se outra editora se interessar pelos seus autores depois que você os publicou?

Eu vou achar ótimo. E não fui eu que os publiquei, foram eles, a si próprios.

 

Guipires: Algum livro lançado pelo site já foi premiado?

Não que eu saiba. O prêmio de todos tem sido a sobrevivência.

 

Miltonfilho: Aceita livros onde o autor esteja interessado em comercializar seu livro exclusivamente como e-book? Se aceita, quanto fica a porcentagem dos lucros para cada um?

Aceito, claro. Há três e-books no site, incluindo um meu. Sobre a porcentagem de cada um, depende: se o autor operar a venda diretamente, minha porcentagem é zero; se eu operar a venda (receber o pedido, cobrar o valor, entregar o livro, repassar o dinheiro ao autor), cobro 25% do preço de capa (para livro de papel) ou 10% (para e-books). Cobro mais pelo livro de papel por causa do manuseio do livro. E quem determina o preço de capa é o autor.

 

Wesley Kestrel: As editoras têm apoio do governo nos seus gastos ou não têm participação?

Que eu saiba, normalmente não, a menos no caso de livros que sejam financiados pela Lei Rouanet ou por algum prêmio.

 

El Nuñes: Você acha que autores sem "nome" e sem "pistolão" têm chance de publicar um primeiro trabalho por alguma editora "significativa" no mercado, tipo uma Record, por exemplo, sem ter que vender a alma pra atingir esse objetivo?

Acho que, em alguns casos, nem vendendo a alma. Até onde eu sei, pistolão ajuda, mas pouco.

 

Paulo Azul: Qual é o caminho pra uma obra fazer sucesso e conquistar a atenção inicialmente da editora e depois do público? Tem alguma dica?

Não sei o caminho, Paulo, acho que não existe uma receita para isso. Cada caso é um caso.

 

Gary OldmanJorel: O nome do entrevistado é Gary Oldman.
Gustavo Verginelli: Parece mesmo.

Agradeço muito, mas recomendo que consultem um oftalmologista com urgência.

 

 

 

Miltonfilho: Dá pra ensinar a montar o livro, a capa, dimensões? Usa-se Corel Draw? Meu maior empecilho é essa parte gráfica, porque o texto do livro está prontissimo.

Sim, posso ajudar. Por enquanto, entre em contato por e-mail. Depois, vou ter e-apostilas gratuitas no site, ensinando tudo.

 

Paula Lee: Explica para as pessoas sobre as vantagens/desvantagens para autor de publicar por uma editora independente ou uma "convencional".

Tenho muitos posts a respeito. Um deles é este. Apesar de os números não valerem mais (porque hoje são maiores), recomendo a leitura.

 

Guipires: O que acha do mercado editorial e essa nova onda dos e-books?

Não acho que a onda dos e-books seja tão nova mas, mesmo assim, ainda há preconceito com o “ler na tela”. Eu mesmo não gosto. Mas há quem não se importe, e há quem prefira. Cada um na sua, e quem ganha é a Literatura.

 

Ismênia: Valeu a pena publicar de forma independente? Compare sua experiência como autor publicado por editora tradicinal.

Mais uma vez, recomendo um post já escrito.

 

Ariévilo: O Albano faz o "meio campo"? Ou seja.. Se alguém tem seu texto, mas precisa de uma revisão ou escreveu, revisou, mas não entende de artes gráficas. Há a possibilidade do Albano fazer com que pessoas se falem para finalizar o trabalho dentro de suas competências?

Sim, posso fazer o meio campo todo, ou mesmo compor e imprimir o livro. Depois disso, tenha sido eu a fazer o livro ou não, o site está à disposição do autor para exibir o trabalho.

 

Miltonfilho: E os áudio-livros? Aceitaria um livro todo gravado em mp3, para comercializar no site ele?

Nunca tinha pensando no assunto mas, sim, aceitaria. Sendo livro (em papel, pdf ou mp3) e tenho sido produzido (pago) pelo autor, o site aceita.

 

Guipires: Existe um prazo para que o livro fique à venda no site?

Não. É o autor que decide se seus livros ficam no site, e por quanto tempo.

 

Wesley Kestrel: As livrarias cobram muito caro dos escritores para poder vender os livros?

A livrarias não cobram do autor, e sim das editoras. Não sei quanto, mas é quase metade do preço de capa do livro.

 

Jorel: Como é feita a publicidade de um livro? No Jô Soares?

Esse é um dos grandes problemas do mercado editorial. Há pouca opção na mídia especializada (poucos jornais específicos para literatura e pequenas seções para o assunto nos grandes jornais), e milhares de títulos novos por mês. Não funcionava nem que houvesse mil Jôs Soares.

 

Bia CNS: São poucas as livrarias que aceitam livros diretamente dos autores. Eles querem sempre tratar com editoras ou distribuidores?

Sim, poucas aceitam livros sem nota fiscal, entre outras restrições que fazem. Com comércio de "porta aberta" (isto é, em lojas sujeitas a fiscalização freqüente), não dá para fazer de outro jeito.

 

Renatinha sp: As editoras independentes são dependentes?

Sim. De leitores, artigo cada vez mais raro no mercado.

 

Bia CNS: Concordo com o Albano sobre a publicação independente ser mais divertida. Acho que dá mais liberdade para o autor promover seus livros em todo o tipo de lugar.

Entre outras vantagens!

 

Jorel: Esse cara deve ter brigado feio com alguma editora grande...

Não mesmo, Jorel. Tenho (e quero continuar tendo) uma relação pacífica com as poucas que conheço. Nunca tive um original recusado por editora, nenhuma me deve nada. Tudo tranqüilo. E se alguém quiser brigar comigo, vai ter que se esforçar muito.

 

El Nuñes: Concorda com quem acha que o mercado editorial atualmente tá numas de prescindir dos autores desconhecidos porque se interessa em publicar, em sua maioria, livros de auto-ajuda que não passam de "mais do mesmo".

Não só auto-ajuda, El Nuñes. Hoje, pelas grandes editoras, se não for para ser best-seller, o livro nem nasce. Sempre foi assim, mas nunca foi SÓ assim.
O livro pode até ser de autor estreante (e, portanto, desconhecido), mas tem que prometer ser best-seller.

 

Renatinha sp: O livro, no meio físico, é bem melhor que ler pelo computador.

A maioria das pessoas pensa assim, mas há quem não se importe com o e-book. Pessoalmente, também prefiro o papel.

 

Miltonfilho: ...mas pro autor, o livro em e-book é muito mais vantajoso.

Vantajoso (em termos financeiros) é o que vende. Se o autor não consegue vender o e-book, mas vende o mesmo livro em papel, valeu a pena investir em gráfica.

 

Paula Lee: Esperamos é que não continue o preconceito das pessoas com as editoras independentes...

Não tenho ilusões a respeito. O preconceito com as minorias (qualquer uma) faz parte do ser humano. É triste, mas é assim.

 

Guipires: O blog então funciona como uma ferramenta de marketing do livro?

Com certeza, é das ferramentas mais eficientes, seja antes, durante ou depois da publicação.

 

Alex Castro: Eu acho que vcs devem comprar os livros do Alex Castro, esse cara manda bem...

Manda muito bem. Qualquer hora, eu mesmo o mando.

 

Mandark: A auto-ajuda está infectando a literatura nacional... mas enquanto houver idiota que compre, vai vender, né?

Auto-ajuda não é literatura. É livro.

 

Mario Marinato: Eu já tinha disponibilizado meu livro para download, mas depois que publiquei em papel muita gente quis comprar mesmo já tendo lido.

Comprova o que eu disse antes: há quem não leia na tela, de jeito nenhum.

 

Guipires: Já pensou em buscar alguma lei de incentivo para que o livro fique mais acessível ao público mais carente?

O livro pode ser acessível a qualquer um, sem ajuda do governo, basta que o autor queira. Eu quero que as leis de incentivo se danem.

 

Guipires: Publica livros infantis?
Miltonfilho: Publica livros do tipo "how-to", isto é, que ensinem como fazer algo?

Eu não publico, mas divulgo qualquer livro que tenha sido produzido (pago) pelo autor.

 

Alex Castro: Afinal, você vive do QUÊ?
Renatinha sp: É mesmo, qual a profissão do Albano?

Não é de fazer ou vender livros, com certeza.

 

Guipires: Qual gênero tem sido best-seller do site?

A questão não é o gênero. Os livros que mais vendem são de autores que têm bom texto e fazem boa divulgação.

 

Bia CNS: Pretende atuar como editor e/ou distribuidor no mercado convencional algum dia?

Não. Prefiro escrever.

 

Paula Lee: Editoras independentes, há poucas por aqui [em Portugal], mas há uma coisa boa: descobri essa semana que há uma livraria que faz questão — dá prioridade — de vender livros de autores ou editoras independentes.

Paula, me dê o contato dessa livraria, por favor.

 

El Nuñes: Qual é a dificuldade de fazer um lançamento em uma livraria? Se ela cobra um percentual, como é a negociação para uma "noite de autógrafos"?

Em princípio, acho que uma livraria só faz lançamentos de livros que vá vender depois. Como, na sua maioria, elas não aceitam vender livros independentes, não sei responder porque nunca precisei descobrir.

Adendo> Mário Marinato leu e comentou por e-mail:

"Acho que já te falei antes que a minha cidade é bem pequena. [Cachoeiras de Macacu - RJ] Existe uma avenida principal onde estão as principais lojas [...] e, também, a única livraria, o que em uma cidade pequena dá até pra chamar de livraria independente.
Fui à tal livraria, cujo dono me conhece de longa data, perguntar se poderíamos arranjar de fazer uma tarde de autógrafos por lá. Ele murmurou, pediu para ficar com o livro um dia, ficou e, quando voltei, veio com o papo de que "uma moça da Record tinha tentado fazer isso em Petrópolis com um cara conhecido e foi um fracasso". Enfim, não deu em nada. Foi até melhor assim, pois o lançamento ficou para a Feira da Promoção e deu no que deu [Mário vendeu 59 exemplares no lançamento]. Não sei se dá pra generalizar, mas parece que nem mesmo as livrarias pequenas estão interessadas em divulgar novos escritores, nem mesmo os da própria terra.

 

Paulo Azul: Se eu tiver esse meu livro pronto fiz por minha própria conta, como devo proceder?

As instruções estão aqui.

 

Alex Castro: Olha, eu já ganhei uns mil reais com os livros que lancei com o Albano... não sei se vocês são ricos mas, pra mim, mil reais é dinheiro... então, acho que ganhei dinheiro sim.

Disse tudo.

 

Wesley Kestrel: As editoras têm apoio do governo nos seus gastos ou não tem participação?

Que eu saiba, as editoras têm direito de comprar máquinas gráficas e certos tipos de papel com impostos reduzidos. Além disso, não sei.

 

Guipires: E as leis de incentivo, já chegou a tentar?

Não, nem vou.

 

Miltonfilho: E quem quer publicar o livro como e-book apenas?

Pode mandar, que eu exponho no site.