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Os melhores (e alguns dos piores) textos de Branco Leone | |||
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Albano
Martins Ribeiro Textos curtos Ano
2008 |
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| PAULO
SILAS, no Buzz! É espantoso observar como Leone escreve para o leitor e não para o escritor. As palavras fluem como água em profunda correnteza. Se realmente não há nada de novo nesses textos? Então, perdi parte do meu tempo nos últimos três anos deixando de acessar o seu blog. Diferente de outras obras, Os melhores e alguns dos piores - textos de Branco Leone não leva a uma viagem de reflexões constantes, somente em alguns momentos onde é preciso pensar maduramente. Por outro lado, uma dúvida imortalizou toda a minha leitura: são histórias verídicas? Afinal, a veracidade do conteúdo seria considerada uma comédia da vida privada. O fim da suspeita aconteceu após entrar em contato com Leone, que revelou: a esmagadora maioria é. No mínimo, tiveram origem em algum fato, mesmo que depois a literatura as tenha distorcido em causa própria.
SEM O INCRÍVEL EXÉRCITO Branco Leone é um blogueiro típico da melhor estirpe. Cheio de um humor às vezes cáustico, mas ocasionalmente cândido, dono de uma escrita irônica, faz um texto enxuto, direto e gostoso de ler. Coisa de leitor bem equipado, crítico e maduro. Identifica no cotidiano e na realidade deste país personagens e fatos dignos de boas crônicas, algumas das quais estão num livro chamado Os melhores (e alguns dos piores) textos de Branco Leone. Se os piores textos dele estão nesse livro, não sei. Mas se estão, é sinal de que seus textos têm sempre um padrão de qualidade acima da média. São crônicas em bom estilo, que conseguem falar de gente comum sem vulgarizar o tema, e até com um laivo de compaixão, como em Lelé e José. Podem fazer rir muito, como em Poltergeists, Rivoltril, Picrato de Butesin. Há frases que lembram muito o estilo de Millôr Fernandes pelo timing, sem perder a originalidade e a marca do autor. O livro não é novidade. Muita gente boa faz da rede veículo para seus textos, e o objetivo ou o sonho da maioria é mesmo ter um ou mais livros publicados. A diferença é que Branco criou para isso uma infra-estrutura alternativa escreve, edita e produz seu próprio trabalho , além de promover a comercialização de seus produtos através do site Os Viralata. Não contente, ele promove também livros de outrem. Sentindo na carne os problemas do escritor alternativo, desamparado da grande mídia, órfão do sistema editorial, leva títulos alheios para seu site de vendas. Não que Branco Leone possa ser considerado um rapaz bonzinho. A alma é grande para ficar nisso. Mas é, com certeza, um cara antenado, que resolveu contribuir na medida de suas possibilidades para preencher uma lacuna do setor. Em vez de ficar adorando o próprio umbigo entronizado, dá uma mãozinha a quem sofre desse mal que também o afeta falta de apoio e meios adequados para divulgar e comercializar o próprio trabalho. Um bom exemplo para quem dispuser de meios e tempo para tanto. Indo além do codinome blogueiro, chega-se ao verdadeiro personagem dessa história: Albano Martins Ribeiro, em cujo site, numa crônica de apresentação, ele conta em sua história de letras que aprendeu a ler sozinho aos quatro anos. Em vez de virar um acadêmico ou pesquisador carrancudo, preferiu curtir a escrita. E encerra sua apresentação com um trecho a um tempo esclarecedor, visceral e escatológico: E eu sigo escrevendo. Quando posso, quando tenho vontade, quando não dá pra ficar sem. Assim como cagar. E tanto numa quanto noutra necessidade, o papel tem tido a mesma importância, a mesma função, e eu tenho com ele o mesmo cuidado. Albano já fez teatro, tem participações nas revistas Germina, Quarteirão Paulista e na Entre Livros; no jornal Entre Lagos, de Brasília, no Jornal de Poesia e mais não sei, mas pode ser perguntado. Além do que está no blog/livro, li alguns textos da Germina, assinados por Albano. À primeira vista percebi uma escrita madura, toques rodriguianos e uma inequívoca empatia com seus personagens. Acho que vale a pena conhecer, além da prosa, os poemas do autor. |
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